Raizes do Clube das Mães - Igreja de São Sebastião

Porto Alegre 1964
Saber dividir, saber partilhar e ser feliz com alguém, é ser sábio.
No ano de 1964, era costume jogar bolão, e muitas senhoras gostavam deste esporte, como até hoje acontece em alguns clubes.

As 3 cunhadas, Norma, Dorvalina e Leonila faziam parte de um grupo, Grupo Primavera. Os encontros semanais aconteciam nas terças-feiras à tarde, no Petrópoles Tenis Clube.

Estes encontros eram ótimos, faziam-se novas amizades, conheciam-se mais pessoas, trocavam-se receitas, etc.

No meio da tarde servia-se chá com bolos, quitutes, salgados etc., tudo ótimo, cada qual trazia o melhor que podia ou sabia fazer.

Realizavam-se várias festividades, encontros com outros clubes, campeonatos de bolão etc. Melhor não era preciso. Mas... para mim faltava algo, não sentia a satisfação interior que desejava. Alguns dias fiquei me perguntando, como fazer desta tarde uma tarde de maior proveito, em benefício de outros. Ex: caridade.

Numa tarde, bastante agradável, voltando para nossas casas resolvi falar: expus meu pensamento, meu plano, para Norma e Dorvalina. Falei: O que vocês duas acham da minha idéia: ao invés de irmos jogar bolão, formar um grupo que trabalha em benefício de outro? Um grupo de caridade?

O plano foi lançado, a idéia foi bem recebida e as 2 cunhadas concordaram. As amigas do grupo Primavera ficaram tristes, mas em seguida entenderam. Éramos inexperientes, e todo começo precisa ser bem planejado. Com inspiração divina me veio a idéia em pedir um conselho para a Irmã Maria Helena, na época diretora do Colégio Santa Inez e muito nossa amiga. Fomos a ela Doralina e eu. Ir. Maria Helena nos recebeu muito bem com aquele sorriso que Deus presenteia às pessoas queridas Dele.

Expusemos nosso plano. A Irmã não pensou 2 vezes, prontamente disse: Formem um clube de Mães. Vocês convidam suas amigas, e eu aqui no Colégio falo com as alunas e estas convidam suas mães. E mãos à obra.

Em seguida falamos com o Cônego alfredo, se seria possível fazer nossas reuniões na sala da igreja S. Sebastião. Padre Alfredo prontamente deu seu sim, e mostrou felicidade com este acontecimento. Saimos a convidar Inez Barcelos, Iolanda Bussolin, Terezinha Bauermann etc. Todas dispostas a trabalhar. As convidadas pelas alunas do Colégio Santa Inez, Bruna Rodel, Lili Rozito, Nelly Paiva e muitas que não me ocorre o nome. Formamos 2 turmas, às terças-feiras funcionava a costura. Quartas-feiras bordado, crochet etc. Para começar, nada tínhamos, mas muita boa vontade; na parte do bordado, cada qual levava ou bordado ou crochet.

Só para ver, como costurar se não tem máquina, Nelly se prontificou e trouxe a máquina portátil até o dia que deu para ocmprar uma máquina. Outras traziam fazendas, linhas etc. Tudo dava certo, A querida Irmã Maria Helena quando possível estava presente, dando força, ânimo em tudo quando necessário.

A turma da costura ia de vento em popa, não sei porque as pessoas simpatizavam mais com a parte da costura. A parte do bordado enfraqueceu, e as tardes ficaram a desejar algo diferente. Certo dia, ao nos despedir em frente à igreja, Iolanda falou, estava aborrecida, pois éramos naquele dia só 3 pessoas. Ela desabafou, que perdera a graça, que se ela ficasse em casa até fazia mais que ali e até melhor. levei até susto, lembro até hoje. Não deixei valer. Disse: Iolanda, esta não, nós não vamos fraquejar... Vai logo falar com tua irmã Bruna, que sempre foi a responsável pela costura, sugere à Bruna, que tal nós nos unirmos a elas nas terças-feiras. Trabalhávamos para o mesmo fim, mas em dias diferentes. E foi isto que aconteceu. Nós nos unimos. Nossos laços de amizada se fortificaram. Foi ótimo, o clube começou a crescer mais e mais, em união e trabalho.

No ano de 1997 o Clube se afiliou ao movimento Sestri,mas isto não durou, pois o pessoal do Sestri exigia muitas reuniões e que em cada reunião se fizessem presentes 2 pessoas da Diretoria do Clube, fazer cursos. Com isso nossos trabalhos não rendiam. Expomos nosso ver e nos desligamos. Elas nos disseram que não devíamos ser Clube de Mães, mas Damas da Caridade.

Resolvemos ficar Clube de Mães. Nosso Clube foi crescendo e resolvemos eleger Presidente, Vice Presidente, Tesoureira, Secretária, pagar mensalidade etc. Tudo foi normalizando e dado bem. Nosso Clube de Mães enriqueceu no material, mas espiritual nada... nada. Não se cantava, não se rezava.

Aconteceu no Colégio Santa Inês o Sínodo. Fui convidada a fazer o curso, fiz, e foi muito válido. Terminado o curso, veio a pergunta: onde voces vão aplicar o que aqui aprenderam? Pois bem se sabe que não vale guardar só para si aquilo que aprendemos... Fiquei a pensar na família, mas na família é tão difícil. lembrei do Clube de Mães. Fui logo falar com o abnegado Cônego Alfredo, que era uma pessoa especial para nosso clube. Ele deu força total.

Expusemos nosso plano para as amigas, algumas acharam bom, outras nem tanto. Certa tarde, nós nos reunimos num canto da sala, bem juntas, para melhor proveito, mas acontece, as indiferentes não se uniram a nós; mas tudo bem. Deus, com certeza, estava ao nosso lado, e no exato momento nos mandaum mensageiro, que o próprio Cônego Alfredo. Ele ficou parado, observando, falou com as 2 ou 3 distantes: vocês ali, porque não vão ali escutar a Palavra de Deus, estávamos lendo a Bíblia. Isto não faz mal, mas faz bem a todos. Elas vieram junto do grupo, e desde ali tudo foi mais bem abençoado. Antes de ir à reunião eu fazia um resumo da leitura do trecho que se lia na Bíblia, porque depois da leitura se discutia sobre tal. As pessoas faziam perguntas, e interessavam, muito bom.

Gente... o saudoso Cônego Alfredo não deixava de vir e dar-nos sua bênção sacerdotal, tão almejada por todos, só por um motivo maior ele não vinha.

Estes acontecimentos, bênção do Cônego Alfredo era o ponto alto da tarde. Sempre seremos agradecidas ao querido Cônego Alfredo.

Mais um pouco sobre a Irmã Maria helena, nossa assistente, às terças-feiras vinha nos visitar dar apoio, providenciava se faltasse algo, mas como ela era tão sobrecarregada no Colégio mandava-nos outra irmã para uma hora espiritual mais profunda.

No começo vinha irmã Izabel Suzana, também logo ganhou a simpatia de todos, esta nos enriqueceu muitíssimo. Somos gratas: a Irmã Izabel Suzana doixou saudades, mas graças a Deus ela está até hoje no Colégio Santa Inêz, e tenho o privilégio de cumprimentá-la, ou até abraça-la de vez em quando. Assim, muitas Irmãs do C.S.Inez passaram tardes conosco, trazer-nos a Palavra Sagrada. Todas deixaram saudades...

Houve um ano em que fui a Presidente do Clube e por inspiração do Espírito Santo, sugeri às amigas em rezar o Pai Nosso de mãos dadas. Fez-se uma votação, porque no Clube nada é imposto, mas tudo de comum acordo. O resultado deu 100%. E assim continua até os dias de hoje. Pai nosso de mãos dadas.

No quadro negro não faltavam mensagens, na parte da manhã eu ia à Igreja e já deixava a mensagem no quadro e, como sempre, Côengo Alfredo me incentivava, às vezes dava para ele ler e ver se estava certo. Neste ano cantávamos com 97 associadas, claro nem todas vinham ao Clube, mandava-se trabalhos para suas casas, isto até hoje acontece. Lili Rozito é um exemplo. Lindo, não?

No começo costumava-se pelas 16 horas, fazer um chá, com uma enorme mesa, 3 a 4 pessoas eram encarregadas a trazer algo. Tudo muito organizado. Se combinava: 1 semana, 4 pessoas traziam; na outra semana, outras 3 ou 4, cada qual trazia do melhor. Mas... nosso Clube foi aumentando em pessoas, o chá dava bastante trabalho, tirava o tempo, o serviço rendia menos, resolveu-se fazer somente chá, e cada pessoa traz a sua merenda (se quiser). A Páscoa, Dia das Mães, aniversários, tudo era sempre festejado. Dia de São João, até baile com fantasia acontecia com pinhão, pipoca etc. A mais badalada, a jeitosa foi a Elisa. Ela é cor-de-rosa por fora e por dentro. Hoje em dia ela nos passa muita coisa boa, com sua voz, expllicações espirituais, orações. Obrigada, Elisa!

No começo não tínhamos Diretoria, mas achamos que seria bom dar mais responsabilidades. Esoclheu-se a Presidente - Vice - Tesoureira - Secretaria. Hoje em dia as novas são esoclhidas no fim do ano, quer dizer, de 2 em 2 anos, e no mês de Dezembro, dia do encerramento, são empossadas as novas. Este também é uma tarde bem alegre, com mesas postas, cada qual traz algo para confraternizar. As despedidas são bastante marcantes.

Certa vez, o Clube de Mães homenageou as associadas e várias outras convidadas para a Festa do Advento. Estavam presentes 200 pessoas. isto foi muito apreciado, e muitos pedidos feitos para se repetir a mesma. Nossos sacerdotes Cônego Alfredo e monsenhor Avelino várias vezes nos seus aniversários foram homenageados com gostosos almoços. O Clube também se faz presente nos galetos que acontecem no 2o domingo de cada mês. Sempre estamos presentes quando solicitadas.

Estava tudo lindo, maravilhoso, de repente, quando vimos, estávamos orfãos. Deus, Pai, em Sua Infinitia Sabedoria, resolveu tirar do nosso meio, nosso maior amigo, conselheiro desde o 1o dia que o Clube iniciou seus trabalhos aqui na Igreja São Sebastião. Foi um choque, e logo sentimos sua falta. as como já várioa anos Monsenhor Avelino era o Pároco desta Igreja (a pedido do Cônego Alfredo) e também já nosso amigo, veio preencher a lacuna que o Cônego deixou.

Este sacerdote, um homem cheio de Deus, um verdadeiro evangelizador, esta Igreja era a casa dele, corria de um lado para outro, queria abraçar tudo. Muitas e muitas vezes vinha nos abençoar, missas no começo do ano das nossas atividades e no encerramento, se fazia presente nas festividades, chás, encerramentos etc.

No ano de 1995, de repente adoece Monsenhor Avelino, foi hospitalizado, numa semana de sofrimento. Deus também leva para Si nosso amigo. Foi a grande notícia. O grande lamento do povo de Petrópolis, foram 25 anos de convívio. Não tínhamos palavras para dizer uns aos outros, tudo foi tão rápido. Com certeza o monsenhor já tinha cumprido sua missão aqui na terra, e Deus Todo Poderoso o quis para o melhor. Descansem em paz estes sacerdotes do nosso Clube de Mães.

E por tudo somos gratas. Somos igualmente agradecidas aos Sacerdotes que vieram em seguida a nós: Padre Cláudio, Padre Pirineu, Padre Remisio. Deus é Pai, e pai não esquece seus filhos, ele só dá coisas boas, dá-nos um grande presente: Padre Zeno Handenteufel. Uma pessoa cheia de sabedoria, administrador, sabe conquistar.

A este Padre damos nossos parabéns pelo trabalho que já realizou em tão pouco tempo. Olha nossa Igreja renovada da cabeça aos pés.

Estamos em 22/10/97, as 3 cunhadas ainda estão por aí, graças ao Bom Deus. Norma é luterana, trabalhou na Igreja São Lucas. Norma está afastada, pois se encontra bastante doente. Dorvalina e Leonila ainda firmes e zelosas por este Clube de Mães da Igreja São Sebastião.